As falsas crenças que nos limitam

       Ao longo de nossa existência vamos sendo condicionados e moldados por diversos fatores que nos levam a pensar, sentir e agir muitas vezes de maneira que ficamos paralisados diante da vida ou que tenhamos comportamentos impulsivos que acarretam sofrimento para nós mesmos e para as pessoas com as quais convivemos.

Vamos assim construindo nossa identidade a partir das experiências sociais, culturais e sobretudo no ambiente familiar, onde se expressam as diferentes formas emocionais que serão determinantes dos nossos comportamentos ao longo da vida.

       Ficamos presos a uma falsa identidade, onde sofrer com doenças físicas e emocionais, solidão, baixa auto-estima, sentimentos de incapacidade e medo passam a ser parte integrante de nosso jeito de existir, como se isso fosse natural, ficamos absolutamente paralisados em nosso desenvolvimento e vamos justificando esta forma de existir negativa através de comportamentos inadequados, manipulando e julgando, agredindo ou nos omitindo, tendo comportamentos bizarros para chamar a atenção, isolando-nos da convivência familiar e social, não agindo diante das adversidades, não tendo e não pondo em prática projetos de vida, dentre outros comportamentos limitantes.

       Podemos nos libertar destas crenças limitantes dando um significado real e profundo para nossa existência, fazendo novas escolhas. Para isto temos que sair da chamada zona de conforto, onde sofremos mas ficamos acomodados por acreditar que a vida é assim mesmo, que não adianta fazer esforços ou que as mudanças não dependem de nós, precisamos então deixar de ouvir estas vozes internas paralisantes e qualificar nosso interior com pensamentos e sentimentos edificantes para termos atitudes que alterem a realidade de maneira positiva, não mais a partir do “Ego”, mas a partir de nossa “Consciência mais profunda”.

       O caminho para a liberdade, paz e realizações com significados edificantes é desenvolver nossa consciência. Para isso devemos trazer à tona o invisível que reside em nosso inconsciente que atua em nossa vida com o objetivo de nos curarmos, bem como curar os ambientes ou grupos aos quais pertencemos, principalmente o familiar que é o mais significativo.

       Os modelos parentais se repetem por gerações. As aparências físicas, os dons, as qualidades, bem como as doenças, relacionamentos conflitantes, sofrimentos e perdas fazem parte de nossa história que somos envolvidos sem tomarmos consciência destes padrões, portanto devemos tomar consciência de nossa individualidade para alterar a realidade e para isto é preciso romper com estes padrões familiares que nos aprisionam.

       Para romper com os padrões familiares negativos é preciso se conciliar com o passado para libertar-se das histórias que não são nossas, apesar de estarmos inseridos de alguma maneira nestas histórias que nos impedem de nos enxergarmos como uma individualidade e o caminho para isto é através do perdão e da gratidão.

       Devemos agradecer aos nossos pais pelo dom da vida, ainda que não fizéssemos parte de seus projetos de vida. Mas foi através deles que chegamos a esta existência, assim vamos agradecer a todos nossos antepassados por tudo que adquirimos nesta rica e fascinante vivência familiar. Agradecer aos nossos pais e demais familiares que participaram de nossa educação com seus mimos, cuidados com nossa saúde e bem-estar geral, agradecer pelas broncas e palmadas que nos deram limites, pelos exemplos e por tudo mais que nos fizeram chegar aqui.

       Perdoar também é fundamental para libertar-se destes padrões paralisantes, então devo perdoar meus pais e antepassados pelas negligências, pelos abandonos, pelas agressões, separações, doenças físicas e emocionais, pelos excessos e por tudo o mais que me causaram sofrimento, mas hoje com um desejo verdadeiro de libertação posso olhar para estas pessoas como fundamentais para meu desenvolvimento e que me deram não o que eu desejava ou precisava, mas me deram o que conseguiram de acordo com suas histórias de vida e seus recursos materiais e emocionais e através desta compreensão posso me libertar destes padrões.

       Uma vez livre destes padrões familiares naturalmente serei referência para os demais membros da família, devo estimular cada membro a buscar o caminho do auto-conhecimento para que todos se reconheçam como indivíduos únicos, conseguindo diferenciar-se uns dos outros com consciência, estabelecendo relações mais autênticas, profundas e felizes.

       “Assumir o protagonismo da própria história requer responsabilidade e coragem, porem esta atitude diante da vida é libertadora pois nos levará aos nossos objetivos de realizações, paz e alegria que tanto almejamos, sem esperar que os outros decidam por nós e sem culpar ninguém por nossas limitações e fracassos que são acima de tudo, oportunidades que a vida nos concede como desafios que nos impulsionam para o desenvolvimento”.