Entendendo a Violência contra a Mulher

       A violência contra a mulher não é um fenômeno exclusivo do Brasil, segundo dados da ONU, sete em cada dez mulheres já sofreram algum tipo de violência, ou sofrerão algum tipo de violência que vai do assédio verbal ou moral, abuso sexual, agressão física e a morte, pelo preconceito de gênero, tambem chamado por feminicidio, sendo que geralmente estas agressões tem um viés  intencional e a construção social ainda ocupa um papel significativo, como acontece em nossa cultura Latino-Americana, onde o machismo ainda vigora com certa força.

       Diferentes contextos sociais ao redor do mundo promovem todo tipo de violência contra a mulher, como os chamados crimes de honra, que submetem meninas e mulheres à morte, muitas das vezes pela própria família, por suspeita de adultério, gravidez ou relações sexuais antes do casamento e até mesmo de mulheres que foram vítima de estupro, segundo a ONU, cerca de 5000 mulheres são assassinadas no mundo em nome da honra. Em algumas culturas a mutilação dos órgãos genitais da mulher ainda faz parte dos valores morais, seja de ordem cultural ou religiosa.

       Pretendemos fazer uma reflexão profunda sobre o tema, uma vez que as mídias dão destaque exclusivo ao ato da violência contra a mulher, sem aprofundar as possíveis causas que estão por trás deste comportamento absurdo que ainda se repete apesar dos grandes avanços e conquistas que o ser humano tem desenvolvido em diversos setores das relações humanas, e contamos ainda com uma mídia sensacionalista que ao invés de promover discussões sensatas sobre o tema, desperta o ódio e reforça o distanciamento nas relações.

       A família ocupa papel preponderante na formação da personalidade de um indivíduo, desta forma uma família onde as relações acontecem dentro de um ambiente de respeito, solidariedade, afeto, comprometimento, alegria, com papéis definidos, seus membros tenderão a comportamentos equilibrados, seguros, com reações adequadas diante das adversidades, farão escolhas que irão contribuir com seu desenvolvimento, ao contrário famílias desestruturada formarão indivíduos que sempre tenderão às polaridades.

       No caso de um menino que for negligenciado nos cuidados, for exposto a ambientes violentos, for impedido de exercer sua infância de maneira adequada, ou por outro lado se for coberto de mimos, realizando todos seus desejos levarão este indivíduo a um desenvolvimento psicológico inadequado, imaturo, egocêntrico e sem habilidade para ter um desenvolvimento apropriado as exigências da vida, tendendo ao uso de recursos inadequados diante dos desafios da vida, como utilizar da violência ou ser submisso, como foi dito estará sempre nas polaridades por não se reconhecer como um homem completo.

       Da mesma forma uma menina que é exposta aos fatores acima descritos poderá tornar-se uma mulher com baixa auto-estima, submissa e frágil para tomar decisões.

       O ser humano tem uma grande tendência de repetir os padrões familiares, tanto para o bem como para o mau, assim homens com tendência violenta normalmente atraem mulheres frágeis e submissas e vice-versa, como forma de complementaridade naquilo que lhes falta e não tem coragem e consciência para realizar.

       Desta forma deve-se olhar para estas tendências e padrões a que estamos acostumados, reconhecer os aspectos que nos limitam e nos levam a comportamentos que geram conflitos e sofrimento, afim de trilhar caminhos mais saudáveis para nosso desenvolvimento.

       É certo que reconhecer estes fatores é uma tarefa difícil, que exige um grande esforço da consciência, pois mudanças de rumo, hábitos e comportamentos serão necessários e mudar, sair da chamada zona de conforto gera medo e desconfiança, porem na impossibilidade de entrar neste processo de auto-conhecimento e transformação de maneira autônoma, deve-se buscar ajuda de entidades ou profissionais gabaritados que possam colaborar neste processo.

       Toda forma de violência deve ser combatida com vigor, para tanto há de existir um grande esforço de toda sociedade contra estes males que atingem sobretudo os mais frágeis fisicamente, como as mulheres, crianças e idosos, vejamos algumas ações que são fundamentais para o fim destes desatinos da sociedade.

       A educação é o fator mais importante neste processo de transformação da sociedade em busca de valores que promovam a igualdade de direitos entre todos independentemente de gênero, crença, etnia, condição econômica, condição física ou intelectual, dentre outros, sendo que a valorização da família como sendo o núcleo primário do desenvolvimento do indivíduo deve ser resgatado, como fonte de acolhimento, proteção, afeto, educação e outros fatores.

       A sociedade deve participar de maneira ativa na identificação de violência contra a mulher ou qualquer pessoa, denunciando às autoridades competentes, ter medo de denunciar é omissão, uma vez que hoje é possível fazer uma denuncia sem identificar-se.

       Agentes da saúde devem ter atenção plena para identificar uma pessoa que foi vítima de violência, que na maioria das vezes por vergonha ou medo relatam que sofreram um acidente ao invés de relatar a agressão sofrida.

       Sensibilizar e capacitar agentes de segurança, como policiais, promotores público, defensores e Juizes para que tenham atenção plena para os casos de violência doméstica, uma vez que ainda surgem notícias de negligências, deboche e pouco caso com estas ocorrências.

       Estudos sistemáticos para compreender o fenômeno da violência em seus diversos aspectos e contextos, afim de desenvolver políticas e intervenções para combater este mal.

       Leis severas onde o agressor seja severamente punido como forma de exemplo, o combate ao uso de armas, que segundo estudos aumenta em tres vezes a possibilidade de uma mulher ser assassinada por seu companheiro.   

       Levar o debate da temática da violência contra a mulher em Escolas, Igrejas, comunidades e demais entidades que possam colaborar para a conscientização do problema, mostrando caminhos e soluções, resgatando a auto-estima tanto de mulheres como dos homens.

       A grande magia na relação entre homens e mulheres consiste em integrar os opostos, o caos e a ordem existem para se obter o equilíbrio, ou seja a totalidade e para isso homem e mulher se conscientes se complementam e crescem juntos, vivendo a verdadeira essência da vida, que é o amor.

       O verdadeiro amor não pode ser exigido, deve ser conquistado com dedicação, com paciência, compreenção, afeto e comprometimento.